Origem

    Constam, nos documentos mais antigos sobre Caneças, elementos históricos como os dólmens “Pedras Altas” e a Anta “Batalhas” no Casal Novo, que testemunham a existência de povos nesta região desde a época megalítica.

    Pensa-se que o saloio é de origem muçulmana, o que nos leva a crer que a zona de Caneças já era habitada pelo menos na época da Reconquista.

    Durante o séc. XIV, Caneças também foi habitada e a prova disso é a lenda criada, que conta a passagem do Rei D. Dinis pela vila onde lhe foi dada a beber água por uma “caneca”, tendo, a partir de então, o termo evoluído até ao nome actual Caneças.

    Contudo, as certezas sobre a origem do termo “caneças” são escassas.

    Sabe-se apenas que deriva provavelmente do termo árabe “caneça”, que significa “Templo Cristão”.

    Em relação ao séc. XV, não encontramos documentos que comprovem a existência de população nesta zona. O mesmo não se pode dizer do séc. XVI, isto porque se sabe que a Barragem de Belas, construída inicialmente pelos Romanos, reflectindo a preocupação dos mesmos em relação às obras de utilidade pública, deixou de estar em actividade neste século, porque já não desempenhava mais a função para que fora anteriormente destinada, isto é, fornecer água à cidade de Olisipo.

    No séc. XVII, parece esta região ter assumido uma grande importância, pois os seus habitantes sentiram necessidade de construir várias fontes, uma vez que já se reconhecia a qualidade das suas águas.

    No século seguinte a construção do aqueduto arrasou parte das condutas romanas, factor que explica a escassez de informação relacionada com o período que antecede o séc. XIX.

    Durante o séc. XIX, e no decorrer do mesmo, Caneças teve um desenvolvimento progressivo, atraindo assim lisboetas e outros turistas, tais como: intelectuais, políticos, artistas, fidalgos, nobres, entre outros. Estes deslocavam-se a Caneças para desfrutar das suas condições naturais, tais como o saudável cheiro dos pinheiros, e das flores, o ar fresco, bem característico desta zona, a boa água, e a roupa branca bem lavada pela gente desta terra.

    Quando falamos de Caneças, não nos podemos esquecer das lavadeiras, porque esta era a profissão feminina mais característica da zona saloia e constituiu um marco importante na história da localidade.

    A actividade das lavadeiras era considerada intensa, sendo de carácter hereditário. Esta profissão merece um carinho muito especial, pois as lavadeiras esmeravam-se imenso no tratamento cuidadoso das roupas. Estas eram elegantes e simpáticas e assumiam-se como um ponto de atracção nas ruas da capital quando iam levantar ou entregar a roupa às “freguesas”. 

    As lavadeiras caracterizavam-se pelo seu traje, que era composto por um lenço colorido, pelos botins e pela enorme trouxa que transportavam na cabeça.

    Em Caneças, as lavadeiras ficaram imortalizadas no filme de Chianca de Garcia, Aldeia da Roupa Branca, estreado a 2 de Janeiro de 1939, que teve como protagonista Beatriz Costa, e em cujo argumento se retratava de forma simples a vida das lavadeiras.

    Caneças e arredores, bem como a quase totalidade da zona envolvente de Lisboa, fazem parte da assim denominada região saloia.

    Pensa-se que o termo saloio é de origem árabe, contudo existem muitas possibilidades para a sua designação. Uma das teorias conhecidas para a designação do termo diz que os habitantes desta região eram possivelmente oriundos do Norte de África, descendentes dos Berberes que se instalaram em Lisboa e arredores, aquando do domínio muçulmano na Península Ibérica.

    Contudo a possibilidade mais considerada foi apresentada em 1917 pelo professor David Lopes, que afirma ser o termo saloio a evolução do arábico çahrui (çahroi), que significa habitante do campo, por oposição ao citadino.